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transformador, desde que estejam dispostas a repensar seus modelos estratégicos e operacionais
à luz de uma nova racionalidade.
Nesse contexto, a sustentabilidade ambiental nas organizações não pode mais ser reduzida a
estratégias de marketing verde ou a simples conformidade com regulamentações técnicas ou
legais. Trata-se de uma questão que convoca transformações estruturais nas formas de gestão,
produção, consumo e, principalmente, comunicação.
Nesse sentido, adquire centralidade o papel do agir comunicativo nas organizações: é por meio
dele que as organizações constroem significados, legitimam práticas, interagem com
stakeholders e elaboram suas políticas de responsabilidade socioambiental. Contudo, o agir
comunicativo pode ser distorcido, como demonstram estudos recentes sobre o fenômeno do
greenwashing e, por isso, precisa ser analisado com base em critérios de objetividade,
sinceridade, honestidade, transparência e inclusão.
A proposta deste artigo é pensar o papel do agir comunicativo na construção de práticas
organizacionais ambientalmente sustentáveis, particularmente sobre a forma especial de
Discurso, de acordo com a teoria de Jürgen Habermas. De um lado, a teoria do agir
comunicativo de Habermas permite compreender como a racionalidade comunicativa, pautada
na busca do entendimento mútuo e na participação igualitária, pode fundamentar uma
administração ambiental com veracidade, ética e democracia. De outro, a teoria dos sistemas
fechados de Luhmann oferece uma lente para entender como as organizações, como os sistemas
autopoiéticos, reduzem a complexidade do ambiente e operam com base em códigos próprios
de decisão e comunicação.
O confronto e a interação entre essas duas abordagens, muitas vezes vistas como inconciliáveis,
permite pensar e elaborar um modelo teórico de sustentabilidade que seja, ao mesmo tempo,
sensível à complexidade das organizações e comprometido com a participação discursiva dos
atores internos e externos. É a partir dessa articulação que se propõe uma administração
discursiva de sustentabilidade ambiental nas organizações, que integre saberes diversos,
respeite os mundos da vida dos sujeitos envolvidos e produza mudanças reais nas práticas
organizacionais.
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Solidariedade & Sustentabilidade, Belém, v. 1, p. 1-12, 2025.