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DISCURSO NAS ORGANIZAÇÕES PARA A SUSTENTABILIDADE  
AMBIENTAL: uma proposta a partir de Habermas e Luhmann  
Clovis Ricardo Montenegro de Lima  
Maribel Andrade  
José Rodolfo Tenorio de Lima  
Resumo: Este artigo tem como objetivo propor a reflexão teórica sobre a gestão de  
sustentabilidade ambiental nas organizações, com base em um modelo discursivo e inclusivo  
que articula as teorias de Jürgen Habermas e Niklas Luhmann. Parte-se da compreensão de que  
as organizações contemporâneas, enquanto sistemas sociais complexos, só podem avançar em  
direção à sustentabilidade ambiental por meio de uma reconfiguração comunicativa que  
favoreça a participação, a inclusão e a construção de consensos. O artigo contribui para o  
campo dos Estudos Organizacionais ao propor um framework conceitual que visa integrar a  
racionalidade comunicativa à dinâmica sistêmica das organizações, tornando o discurso um  
elemento estruturante da sustentabilidade.  
Palavras-chave: Sustentabilidade Ambiental, Discurso, Racionalidade Comunicativa;  
Organizações.  
1 INTRODUÇÃO  
A intensificação das sobrecargas e crises ambientais nas últimas décadas tem revelado os  
limites de um modelo civilizatório que, fundado na lógica da acumulação e do crescimento  
econômico desenfreado, negligencia os impactos ecológicos de suas práticas. A emergência  
climática, a perda da biodiversidade, a escassez hídrica e os eventos extremos cada vez mais  
frequentes sinalizam que a sustentabilidade deixou de ser uma escolha e tornou-se uma  
urgência ético-moral, social e econômica. Dentro desse cenário global de emergência, cresce a  
percepção sobre o papel decisivo das organizações, especialmente as corporações, como atores  
centrais na promoção ou mitigação dos impactos ambientais. Ao mesmo tempo em que são  
protagonistas na exploração dos recursos naturais, são também portadoras de potencial  
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transformador, desde que estejam dispostas a repensar seus modelos estratégicos e operacionais  
à luz de uma nova racionalidade.  
Nesse contexto, a sustentabilidade ambiental nas organizações não pode mais ser reduzida a  
estratégias de marketing verde ou a simples conformidade com regulamentações técnicas ou  
legais. Trata-se de uma questão que convoca transformações estruturais nas formas de gestão,  
produção, consumo e, principalmente, comunicação.  
Nesse sentido, adquire centralidade o papel do agir comunicativo nas organizações: é por meio  
dele que as organizações constroem significados, legitimam práticas, interagem com  
stakeholders e elaboram suas políticas de responsabilidade socioambiental. Contudo, o agir  
comunicativo pode ser distorcido, como demonstram estudos recentes sobre o fenômeno do  
greenwashing e, por isso, precisa ser analisado com base em critérios de objetividade,  
sinceridade, honestidade, transparência e inclusão.  
A proposta deste artigo é pensar o papel do agir comunicativo na construção de práticas  
organizacionais ambientalmente sustentáveis, particularmente sobre a forma especial de  
Discurso, de acordo com a teoria de Jürgen Habermas. De um lado, a teoria do agir  
comunicativo de Habermas permite compreender como a racionalidade comunicativa, pautada  
na busca do entendimento mútuo e na participação igualitária, pode fundamentar uma  
administração ambiental com veracidade, ética e democracia. De outro, a teoria dos sistemas  
fechados de Luhmann oferece uma lente para entender como as organizações, como os sistemas  
autopoiéticos, reduzem a complexidade do ambiente e operam com base em códigos próprios  
de decisão e comunicação.  
O confronto e a interação entre essas duas abordagens, muitas vezes vistas como inconciliáveis,  
permite pensar e elaborar um modelo teórico de sustentabilidade que seja, ao mesmo tempo,  
sensível à complexidade das organizações e comprometido com a participação discursiva dos  
atores internos e externos. É a partir dessa articulação que se propõe uma administração  
discursiva de sustentabilidade ambiental nas organizações, que integre saberes diversos,  
respeite os mundos da vida dos sujeitos envolvidos e produza mudanças reais nas práticas  
organizacionais.  
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Este trabalho, de natureza teórica e reflexiva, parte de revisão bibliográfica aprofundada,  
buscando contribuir para os campos dos estudos organizacionais e da sustentabilidade a partir  
de uma abordagem transdisciplinar. O objetivo central é desenvolver um framework conceitual  
que articule a teoria do discurso habermasiana com a teoria dos sistemas de Luhmann,  
propondo um modelo participativo de governança ambiental dentro das organizações. A seguir  
apresentaremos os fundamentos teóricos dessas abordagens, suas interseções e os  
desdobramentos possíveis para a gestão ambiental crítica comunicativamente orientada.  
2 HABERMAS E LUHMANN: A COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES  
A sustentabilidade nas organizações demanda uma abordagem teórica que seja capaz de lidar  
com a complexidade sistêmica das organizações modernas e, ao mesmo tempo, com os  
fundamentos normativos do agir comunicativo. Nesse sentido, as teorias de Niklas Luhmann e  
Jürgen Habermas oferecem bases conceituais valiosas para compreender tanto a dinâmica  
interna das organizações, quanto às possibilidades de sua transformação ética e discursiva  
diante dos desafios socioambientais contemporâneos.  
Niklas Luhmann (1995 - 2016), a partir da sua teoria dos sistemas fechados, entende a  
organizações como sistemas autopoiéticos, operando por meio de filtros e códigos que reduzem  
a complexidade do ambiente externo. Os sistemas funcionam com base na reprodução  
constante de seus próprios elementos comunicacionais, ou seja, são autorreferenciais e  
encerrados operacionalmente. No entanto, essa clausura não é absoluta: os sistemas são  
cognitivamente abertos e reagem ao ambiente por meio daquilo que Luhmann denomina de  
“irritações”, que provocam reorganizações internas sem, contudo, violar a autonomia  
sistêmica. Como observa o autor, “um sistema só pode perceber do ambiente aquilo que ele  
próprio é capaz de produzir como diferença interna” (LUHMANN, 1995, p.37).  
Assim, as organizações operam por meio da seleção de informações compatíveis com seus  
esquemas de decisões, ignorando tudo aquilo que não pode ser processado em seus próprios  
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termos. Essa perspectiva é fundamental para compreender como a sustentabilidade ambiental  
ao ser inserida na agenda organizacional, pode ser filtrada, reinterpretada ou mesmo  
neutralizada em função das lógicas internas de operação. A teoria de Luhmann, nesse sentido,  
facilita diagnosticar os limites estruturais da mudança organizacional, especialmente quando  
este depende de código de decisão predominantemente econômicos e estratégicos.  
Habermas (1987a; 1989; 2004) ao propor a teoria do agir comunicativo, oferece uma crítica  
direta à dominação da racionalidade instrumental sobre as demais formas de interação social.  
Habermas observa que a linguagem possui um potencial emancipatório quando orientada para  
o entendimento mútuo e não para a eficácia estratégica. O agir comunicativo, baseado em  
pretensões de validade (verdade, correção normativa e veracidade), é aquele que busca o  
entendimento entre os participantes por meio da discussão livre de coerção. O autor é enfático  
ao afirmar que “o consenso é garantido não pela imposição, mas pela força sem coação do  
melhor argumento” (HABERMAS, 1987, p. 25).  
No âmbito organizacional, essa perspectiva implica em repensar os processos de decisão e de  
gestão de forma a incluir os sujeitos participantes, ampliando os espaços de participação e  
promovendo a deliberação racional sobre as finalidades e não apenas uma escolha dos meios  
da ação. A racionalidade comunicativa pode, portanto, servir como critério normativo para  
avaliar a legitimidade dos discursos organizacionais sobre sustentabilidade, distinguindo  
práticas genuínas de mera retórica.  
Ao contrapor essas duas abordagens, é possível identificar um campo de tensão, mas também  
de complementaridade. Enquanto Luhmann oferece ferramentas para descrever a realidade das  
organizações e sua resistência à mudança, Habermas propõe um ideal normativo de mudança  
baseado na comunicação intersubjetiva. A articulação entre essas teorias permite pensar um  
modelo de sustentabilidade que reconheça os limites operacionais dos sistemas, mas que, ao  
mesmo tempo, amplie os espaços de Discurso e deliberação dentro das organizações.  
Essa fundamentação teórica que contrapõe o diagnóstico funcional da teoria dos sistemas  
fechados à teoria crítica do agir comunicativo, forma o núcleo conceitual sobre o qual se  
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constrói a proposta deste artigo: a administração discursiva da sustentabilidade ambiental,  
comprometida com a inclusão participativa de múltiplos atores e com a superação da  
racionalidade técnica instrumental.  
3 DISCURSO E SUSTENTABILIDADE NAS ORGANIZAÇÕES  
A inclusão da sustentabilidade ambiental no cotidiano das organizações não ocorre de maneira  
linear, neutra ou automática. Trata-se de um processo permeado por disputas simbólicas,  
estratégias de visibilidade e, sobretudo, por falas que moldam a forma como as organizações  
se apresentam à sociedade. Nesse sentido, o Discurso nas organizações não é apenas reflexo  
das práticas internas, mas também uma construção da identidade e de interação com o ambiente  
externo.  
Nos últimos 30 anos o campo da sustentabilidade tem sido marcado por um paradoxo: por um  
lado, há uma crescente demanda pública por responsabilidade socioambiental, impulsionada  
por consumidores, governos e organismos multilaterais; por outro, observa-se uma tendência à  
superficialização dos compromissos ambientais, muitas vezes reduzidos a estratégias de  
marketing, relatórios estéticos ou selos genéricos de certificação.  
Essa prática conhecida como greenwashing consiste na tentativa de criar uma imagem  
ambientalmente responsável sem que haja, de fato, uma transformação significativa nas  
estruturas e processos organizacionais.  
Estudos recentes confirmam essa distorção. Inocêncio e Favoreto (2022, p. 546) apontam que  
“os relatórios de sustentabilidade podem operar como mecanismos de distorção comunicativa,  
quando não orientados pelo entendimento, mas por estratégias de legitimação”. Trata-se,  
portanto, de uma prática que se afasta dos princípios da racionalidade comunicativa,  
aproximando-se de uma lógica instrumental que visa apenas preservar a imagem corporativa.  
Habermas (1987) diz que atos de fala não observam critérios de validade (inteligibilidade,  
verdade, sinceridade, honestidade), quando não visam o entendimento mútuo, mas a distorção  
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e a manipulação da comunicação externa. Nesse caso a ação se afasta da racionalidade  
comunicativa e adentra o domínio da estratégia. A consequência é o esvaziamento da ação de  
seu potencial ético e a fragilização da sua legitimidade.  
Nesse cenário a proposta de Habermas (1987) oferece contraponto para as organizações: a  
sustentabilidade deve ser tratada como tema público e Discursivo, incluído em processos de  
deliberação onde os participantes internos e externos podem apresentar pontos de vistas e  
argumentos, questionar premissas, negociar significados e construir entendimentos.  
Habermas (1987) sustenta que somente quando todos os interessados participam livremente do  
Discurso, podem as normas reivindicar validade. Isso exige a criação de espaços abertos à  
participação, especialmente daqueles tradicionalmente marginalizados nos processos  
decisórios, como seus próprios trabalhadores e populações afetadas. Essa exigência normativa  
desloca a sustentabilidade para o campo da ética do Discurso.  
Na perspectiva da teoria do agir comunicativo o Discurso sobre sustentabilidade requer o  
reconhecimento mútuo entre os interlocutores, a disposição para justificar as próprias ações e  
a abertura ao dissenso. A linguagem, nesse sentido, não é apenas um modo de coordenação,  
mas o próprio meio pelo qual os sujeitos se constituem como agentes morais e políticos. .  
Chauí (2005, p. 29) afirma que “a democracia não se reduz à soma de interesses, mas é o espaço  
de formação da vontade coletiva pelo diálogo”. A construção de uma agenda ambiental  
legítima, portanto, depende da efetiva multiplicidade das vozes e da disposição das  
organizações em submeter suas práticas à crítica pública.  
A abordagem discursiva não implica ignorar a complexidade dos sistemas. Ao contrário,  
reconhece-se que as organizações operam com base em código específicos e precisam lidar  
com pressões funcionais, como rentabilidade, produtividade e eficiência. No entanto, ao  
integrar os critérios da racionalidade comunicativa aos processos internos, é possível criar  
mecanismos de reflexividade e crítica que ampliem a capacidade de respostas ética e ambiental  
das organizações.  
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Luhmann (2016, p. 112) lembra que “a comunicação é a única operação capaz de gerar novas  
comunicações”, o que significa que a mudança organizacional só pode ocorrer quando novos  
Discursos configuram as possibilidades de decisão.  
Assim, os atos de fala deixam de ser instrumento de convencimento e coerção, e tornam-se  
elementos estruturantes da governança organizacional. Por meio dele, constroem-se práticas  
legítimas, fundamentadas em valores compartilhados e orientadas para a sustentabilidade  
ambiental.  
4 ADMINISTRAÇÃO DISCURSIVA DA SUSTENTABILIDADE  
Os fundamentos teóricos apresentados fundamentam a proposição de um modelo conceitual de  
administração discursiva da sustentabilidade ambiental, que busca articular e pensar a  
racionalidade comunicativa de Habermas a partir da teoria dos sistemas de Luhmann. O modelo  
parte da ideia de que as organizações, enquanto sistemas complexos fechados, não podem  
internalizar toda a complexidade ambiental. No entanto, podem criar estruturas comunicativas  
capazes de traduzir e processar as demandas externas, controlando e prevenindo riscos,  
sobrecargas e degradação ambiental.  
4.1 PARA UMA ABORDAGEM DISCURSIVA DA AGENDA  
O modelo proposto de Abordagem Discursiva está fundamentado em cinco princípios centrais:  
1 A inclusão de participantes internos e externos  
A governança da sustentabilidade ambiental deve abrir espaço para a participação efetiva de  
diferentes atores, internos e externos à organização, incluindo trabalhadores, gestores,  
comunidades do entorno, fornecedores, consumidores e órgãos reguladores. Habermas (1989,  
p. 124) enfatiza que “ninguém deve ser excluído de uma comunicação capaz de influir no  
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resultado da deliberação”. Essa inclusão amplia a legitimidade dos processos decisórios e evita  
que a sustentabilidade ambiental seja reduzida a agenda corporativa unilateral.  
2 O reconhecimento da complexidade sistêmica  
A partir de Luhmann, o modelo reconhece que as organizações operam por meio de seleções e  
códigos próprios, o que implica em redução da sua complexidade interna e em limites à sua  
capacidade de transformação. Como observa Luhmann, “os sistemas sociais reduzem a  
complexidade do mundo ao seu entorno de relevância, filtrando informações, segundo códigos  
próprios” (LUHMANN, 2016. p. 45). No entanto, esses limites não devem ser vistos como  
barreiras intransponíveis, mas como condições que exigem agir comunicativo interno (a sua  
forma especial de Discurso) para a inclusão de novas variáveis ambientais e sociais em seus  
processos decisórios.  
3 A deliberação baseada em racionalidade discursiva  
Os processos comunicacionais nas organizações, de acordo com Habermas, devem ser  
orientados para o entendimento mútuo e pautados em pretensões de validade. A transparência,  
a sinceridade e a correção normativa tornam-se critérios essenciais para a construção de  
entendimentos legítimos em torno de políticas ambientais. Habermas afirma que “a esfera  
pública não é apenas um espaço de circulação de informações, mas um campo de formação de  
opiniões e de vontade”.  
4 A superação do greenwashing  
O modelo propõe o Discurso organizacional sobre Sustentabilidade submetido à Argumentação  
dos participantes internos e externos com critérios de verificabilidade e auditabilidade, de modo  
a evitar falsidade, fragilidade e manipulação simbólica. Inocêncio e Favoreto(2022, p. 546),  
advertem que “ a distorção comunicativa, quando se manifesta nos relatórios ambientais,  
compromete a legitimidade das práticas organizacionais”. Dessa forma, relatórios,  
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certificações e campanhas organizacionais devem refletir práticas reais, submetidas a crítica  
discursiva e ao escrutínio público.  
5 Valorização da esfera pública ambiental  
A sustentabilidade organizacional deve ser articulada à esfera pública, entendida como espaço  
social onde os diferentes atores discutem, criticam e negociam significados em torno das  
questões ambientais. Isso implica reconhecer que as organizações não são apenas unidades  
econômicas, mas também atores sociais com responsabilidades éticas e políticas. A abertura  
para a discussão com a sociedade amplia a responsabilidade das organizações e fortalece a  
busca de compromissos e limites.  
4.2 A ESTRUTURA DO MODELO PROPOSTA  
A Administração Discursiva da Sustentabilidade pode ser representada por processos em três  
níveis interdependentes:  
Nível organizacional interno: criação de canais de participação e deliberação entre  
trabalhadores internos, gestores e demais atores internos.  
Nível interorganizacional: estabelecimento de parcerias e redes colaborativas com  
fornecedores, clientes e outras empresas, visando soluções coletivas para problemas  
ambientais complexos.  
Nível societal: discussão com comunidades, movimentos sociais, governos e  
organismos internacionais, inserindo práticas organizacionais no contexto  
socioambiental.  
4.3 CONTRIBUIÇÕES E LIMITES  
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A proposta aqui apresentada oferece uma ferramenta de governança ambiental das  
organizações. Sua principal contribuição consiste em mostrar que a Sustentabilidade só se torna  
prática estruturante quando está articulada a processos comunicativos de validação.  
Entre seus limites, destaca-se a dificuldade de operacionalização em contextos organizacionais  
marcados por fortes assimetrias de poder, onde o agir tende a ser instrumentalizado em favor  
de interesses estratégicos. Ainda assim, o ideal regulador da racionalidade comunicativa pode  
servir como horizonte normativo para transformar as práticas organizacionais. Habermas  
(1987, p. 31) conclui que “a racionalidade comunicativa se sustenta na força dos melhores  
argumentos e não na imposição de poder”.  
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A sustentabilidade ambiental nas organizações precisa mais do que iniciativas isoladas ou  
meramente adaptativas. Ela requer transformações profundas nos modelos de gestão, nas  
estruturas de governança e, sobretudo, nos processos e dinâmicas comunicacionais. Ao longo  
deste artigo, busca-se mostrar que a discussão entre Habermas e Luhmann oferece instrumentos  
teóricos valiosos para compreender tanto os limites estruturais das organizações, quanto às  
possibilidades de sua reconfiguração ética por meio do agir comunicativo.  
De um lado, a teoria dos sistemas de Luhmann permite reconhecer que as organizações operam  
de forma autopoiética, com códigos de decisão que frequentemente priorizam a racionalidade  
econômica em detrimento de demandas e valores ambientais. Como afirma Luhmann (2000, p.  
102), “as organizações decidem de acordo com critérios próprios de seleção, o que as torna  
resistentes a demandas externas que não possam ser traduzidas em seus códigos”.  
De outro lado, a teoria dos agir comunicativo de Habermas propõe que a legitimidade  
organizacional somente pode ser construída por meio de processos discursivos que favoreçam  
a inclusão, a participação e o entendimento mútuo. O modelo conceitual aqui proposto - a  
administração discursiva das organizações para a sustentabilidade - resulta dessa articulação:  
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trata-se de integrar a complexidade sistêmica à racionalidade comunicativa, de modo a criar  
práticas de governança ambiental com participação, mais legítimas e transparentes.  
Nesse sentido, o cenário atual oferece um exemplo significativo: a Conferência das Partes  
sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém do Pará em 2025. A escolha da  
Amazônia como palco da conferência carrega forte dimensão simbólica e política, pois remete  
à centralidade do bioma amazônico nas disputas globais em torno da crise climática. A COP30  
configura-se como verdadeira arena discursiva internacional, em que governos, organizações  
não-governamentais, empresas e movimentos sociais disputam narrativas, negociam  
compromissos e constroem entendimentos possíveis sobre a agenda ambiental.  
Do ponto de vista habermasiano, a COP30 pode ser vista como expressão da esfera pública  
global, onde múltiplos atores se empenham em processos de discussão e de deliberação que,  
embora imperfeitos, produzem acordos e normas orientados pela racionalidade comunicativa.  
Sob a lente de Luhmann, a conferência representa um espaço de acoplamento estrutural entre  
diferentes sistemas - político, econômico, científico, jurídico e organizacional - cada um  
operando segundo seus próprios códigos, mas em constante interação frente à complexidade  
do problema climático.  
Para as organizações sociais, a COP30 evidencia tantos os riscos dos atos de fala vazios - que  
se limita a retórica sem práticas efetivas - quanto as possibilidades de construção de uma  
governança ambiental discursiva e legítima. Ao participarem desse processo, empresas e  
instituições não apenas respondem à pressões externas, mas também se colocam diante da  
necessidade de configurar suas práticas à luz da crítica pública e dos entendimentos e acordos  
construídos em nível global.  
Conclui-se, portanto, que a sustentabilidade só se consolida como princípio estruturante das  
organizações se estiver ancorada em um Discurso autêntico, capaz de articular complexidade  
sistêmica e racionalidade comunicativa. A COP30 representa um marco nesse percurso, ao  
mostrar que a crise climática exige mais do que soluções técnicas ou compromissos  
estratégicos, exige processos discursivos inclusivos, transparentes e globais, capazes de  
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integrar diferentes perspectivas e produzir mudanças efetivas. Esse horizonte reforça a  
pertinência de aproximar Habermas e Luhmann como referenciais teóricos complementares,  
capazes de iluminar os caminhos para uma administração discursiva da sustentabilidade  
ambiental no século XXI.  
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