solidário contava com 19.708 empreendimentos, perfazendo cerca de 1.400.000 sócios e
sócias (DIEESE, 2016). Mesmo representando um percentual reduzido, entretanto, no
contexto da crise sanitária entre 2020-2021, a economia solidária tem se fortalecido como
uma alternativa para os trabalhadores e se reafirmado na construção de laços de cooperação,
de cuidado mútuo e solidariedade para enfrentar os desafios (FRONZA et al, 2020).
Para se ter ideia das interseções entre as duas perspectivas, na pesquisa da SENAES
apresentada anteriormente, dos 19.708 empreendimentos, 1.740 são cooperativas. Ou seja,
aproximadamente 33% das cooperativas do Brasil são cooperativas solidárias cruzando com
os dados do anuário da OCB 2020 (SIES-SENAES, 2018, apud CARVALHO, 2019).
Vale destacar também que uma das grandes vantagens das cooperativas e
empreendimentos da economia solidária em relação às empresas é que elas buscam a
reprodução da vida de seus trabalhadores e não o lucro. Assim, têm muito mais resiliência às
crises econômicas frequentes no capitalismo. Diferente das empresas capitalistas, que têm
como parâmetro o lucro e a taxa interna de retorno (TIR), as cooperativas e empreendimentos
solidários têm como princípio a reprodução ampliada da vida, auxilio-mutuo, e respeito às
características dos grupos ou coletivos que buscam em primeiro lugar, manter os postos de
trabalho acima da necessidade de manter um retorno sobre o investimento igual ou maior a
taxa de juros (KRAYCHETE, 2000, 2007)
Entre as inúmeras dificuldades que as cooperativas e empreendimentos econômicos
solidários enfrentam, uma delas é o acesso a tecnologias e, principalmente, tecnologias
apropriadas às suas formas de organização e valores. Autores como Dagnino (2004; 2019) e
Varanda e Bocayuva (2009) destacam como as tecnologias convencionais reforçam valores e
formas de organização capitalistas e, que dessa forma, a Tecnologia Social seria a tecnologia
adequada aos empreendimentos solidários. No campo das tecnologias da informação e
comunicação não é diferente, como também apontado por Alvear (2014), no qual as
plataformas capitalistas trazem como principais valores a vigilância, o controle e
mercantilização dos dados dos usuários.
Em contraposição, para avançar com a Economia Solidária 2.0 (Ecosol 2.0)8 no país,
esta deveria ser estruturada a partir de plataformas de cooperativismo “de propriedade
coletiva, possuídas pelas pessoas que geram a maioria do valor nessas plataformas, podem
8Importante ressaltar que o que chamamos de Ecosol 2.0 não seria uma Economia Solidária superior, melhor ou
mais “avançada” que o que hoje é chamado de Economia Solidária. Fizemos um jogo de palavras com o uso do
termo 2.0 para se referir a empreendimentos da economia solidária que fazem uso de plataformas digitais para
seu funcionamento e para ampliar sua democracia interna, e/ou para ressaltar a importância do cooperativismo
de plataforma de partir da história e experiência do movimento de economia solidária.
Revista Solidariedade & Sustentabilidade, Belém, p. 1-20, 2025